No dia 24 de setembro surpreendi uma lagarta verde no pano laranja que uso de cortina desde que quebrei a minha persiana. Estava lá, parada, enquanto o Pedro (grande amigo) e eu refletíamos sobre as nossas vidas. E quando eu fiz menção de tirá-la de lá, o grande Pedro me impediu, alegando que ela morreria, pois se fixara ali para completar a sua metamorfose. Concordei, porque tenho uma relação bastante especial com borboletas... são tão lindas e significam coisas importantes para mim.
Acompanhei, desde então, todo o processo de metamorfose do inseto. Observei cada mudança de cor da crisálida, mudança de ângulo de inclinação... Procurava notar todos os dias cada pequena mudança que se operava naquela tranformação, procurando adivinhar as cores da minha borboleta, qual seria o seu tamanho, o formato de suas asas...
Até que no dia 16 de outubro, entrei no meu quarto no exato instante em que o casulo se rompia e sujava com uma coisa vermelha a minha bolsa que estava logo abaixo dele! Momento único ver o belo inseto deixando a casca que lhe servira de morada até que estivesse preparado para voar. E ela era linda!!! Cinzenta com pintas amarelas e laranjas, grande e com asas em quase semi-círculos, daqueles que unidos sugerem a forma de um coração. E ela se foi, voou para fora de casa traçando círculos primeiro pelo meu quarto e depois pela sala, como que se despedindo.
Foi bom observar a lagarta em borboleta enquanto ela esteve por aqui. Me restou a casquinha, bonita, pendurada na minha janela aquela parte dela que ficou. E a visão bonita do vôo de Adeus, que um dia também farei.
domingo, 19 de outubro de 2008
segunda-feira, 13 de outubro de 2008
Traze-me um pouco das sombras serenas
que as nuvens transportam por cima do dia!
Um pouco de sombra, apenas,
- vê que nem te peço alegria.
Traze-me um pouco da alvura dos luares
que a noite sustenta no teu coração!
A alvura, apenas, dos ares:
- vê que nem te peço ilusão.
Traze-me um pouco da tua lembrança,
aroma perdido, saudade da flor!
- Vê que nem te digo - esperança!
- Vê que nem sequer sonho - amor!
Cecília Meireles
que as nuvens transportam por cima do dia!
Um pouco de sombra, apenas,
- vê que nem te peço alegria.
Traze-me um pouco da alvura dos luares
que a noite sustenta no teu coração!
A alvura, apenas, dos ares:
- vê que nem te peço ilusão.
Traze-me um pouco da tua lembrança,
aroma perdido, saudade da flor!
- Vê que nem te digo - esperança!
- Vê que nem sequer sonho - amor!
Cecília Meireles
domingo, 12 de outubro de 2008
Família?!
Alguns desgostos. Algumas saudades.
Uma falta de nãoseioquê, daquilo que eu nem o que é, pois nem sei se existiu. Falta do que eu penso ser tudo o que eu perdi.
Ausência que cala fundo. E me cala. Ou eu é que me calo...
Mas o que é que o meu silêncio representa? Faz alguma diferença?
Em toda a estrada traçada não há retorno. O tempo passa. Eu os perdi para sempre. Nós nos perdemos para sempre em desacertos mútuos e não há nada que eu possa fazer para recuperar os anos de convívio que não tivemos. Eles passaram.
Estou falando de base mesmo. Sustentação. Sinto que tenho as raízes superficiais e um medo dolorido de sucumbir aos ventos que batem aqui. Pode ser apenas impressão... A minha avó me ensinou muito. Fez tudo o que esteve ao seu alcance. Há uma base. Mas ainda acredito que são todos insubstituíveis. De modo, que a ausência dos meus pais se fez presença na minha vida.
E às vésperas do meu aniversário (depois de amanhã completo 22 anos) é difícil não pensar em como as coisas estavam no dia em que eu nasci e durante os quase doze anos em que partilhei do convívio com os meus pais e os meus irmãos menores. E toda a vontade de comemorar desaparece.
Não faço a menor idéia do quanto tudo seria diferente se tivesse sido diferente, nem de quem eu seria agora, afinal, um sábio já disse "eu sou eu e as minhas circunstâncias", e reconheço o quão inútil é fazer esse tipo de conjectura. As coisas aconteceram assim e elas são o que são. Simples. Escrevo tudo isso para talvez compreender melhor essa saudade que eu sinto de coisas que nem sei. Para tentar entender o porquê de me sentir uma estranha entre eles a vida toda.
Talvez eu nunca encontre respostas.
E tudo ficou bastante cinza por hora.
Sem comemorações para mim este ano.
Uma falta de nãoseioquê, daquilo que eu nem o que é, pois nem sei se existiu. Falta do que eu penso ser tudo o que eu perdi.
Ausência que cala fundo. E me cala. Ou eu é que me calo...
Mas o que é que o meu silêncio representa? Faz alguma diferença?
Em toda a estrada traçada não há retorno. O tempo passa. Eu os perdi para sempre. Nós nos perdemos para sempre em desacertos mútuos e não há nada que eu possa fazer para recuperar os anos de convívio que não tivemos. Eles passaram.
Estou falando de base mesmo. Sustentação. Sinto que tenho as raízes superficiais e um medo dolorido de sucumbir aos ventos que batem aqui. Pode ser apenas impressão... A minha avó me ensinou muito. Fez tudo o que esteve ao seu alcance. Há uma base. Mas ainda acredito que são todos insubstituíveis. De modo, que a ausência dos meus pais se fez presença na minha vida.
E às vésperas do meu aniversário (depois de amanhã completo 22 anos) é difícil não pensar em como as coisas estavam no dia em que eu nasci e durante os quase doze anos em que partilhei do convívio com os meus pais e os meus irmãos menores. E toda a vontade de comemorar desaparece.
Não faço a menor idéia do quanto tudo seria diferente se tivesse sido diferente, nem de quem eu seria agora, afinal, um sábio já disse "eu sou eu e as minhas circunstâncias", e reconheço o quão inútil é fazer esse tipo de conjectura. As coisas aconteceram assim e elas são o que são. Simples. Escrevo tudo isso para talvez compreender melhor essa saudade que eu sinto de coisas que nem sei. Para tentar entender o porquê de me sentir uma estranha entre eles a vida toda.
Talvez eu nunca encontre respostas.
E tudo ficou bastante cinza por hora.
Sem comemorações para mim este ano.
domingo, 21 de setembro de 2008
"A gente cresce sem saber para onde" (Guimarães Rosa)
Sinto falta dos meus amigos mais antigos. E hoje, quando acordei com aquela chuvinha batendo na janela e aquele friozinho preguiçoso, desejei profundamente que estivéssemos todos reunidos, vendo filmes, cozinhando, cheetos party ou bebendo... Aquela bagunça e aquele cheiro irritante de cigarros (eu não fumo!). Tudo isso faz uma falta do caralho!!!
Fiz amigos fantásticos desde que entrei na faculdade... mas cada um é insubstituível, poxa... Acabei me afastando dos velhos, porque achei que estava crescendo e nós já não seguíamos as mesmas direções. Mas, meu Deus!!! Nós não precisamos seguir as mesmas direções!!!
Eu discordo dos que dizem que ninguém é insubstituível, pois são todos insubstituíveis, e a prova disso é essa saudade que eu sinto não dos tempos passados, mas de cada um. Do cheiro, das gírias, até das babaquices que nós temos aos montes. Todos, como são, inteiros.
Meninos , se um dia desses vocês lerem esse texto, saibam que eu queria muito dividir com vocês todas essas jaboticabas aqui do meu quintal, que a minha casa tem muitos colchões e cobertas quentinhas, que eu ainda gosto de ver filmes, que eu sinto falta dos dotes culinários do Bu (embora os meus tambem estejam se desenvolvendo), que estou com saudade dos retratos contrangedores que a Erê traça naqueles desenhos, que ouvir a Dé falar é delicioso, que as piadas do Pat são imbatíveis, que eu continuo bebendo pra caralho, que eu prometo tentar não dormir nas nossas próximas reuniões e que eu continuo achando que Vale a Pena.
Espero que todos (mesmo os que eu não citei) saibam o quanto são importantes. Nos vemos, amigos, assim que possível!!!
Fiz amigos fantásticos desde que entrei na faculdade... mas cada um é insubstituível, poxa... Acabei me afastando dos velhos, porque achei que estava crescendo e nós já não seguíamos as mesmas direções. Mas, meu Deus!!! Nós não precisamos seguir as mesmas direções!!!
Eu discordo dos que dizem que ninguém é insubstituível, pois são todos insubstituíveis, e a prova disso é essa saudade que eu sinto não dos tempos passados, mas de cada um. Do cheiro, das gírias, até das babaquices que nós temos aos montes. Todos, como são, inteiros.
Meninos , se um dia desses vocês lerem esse texto, saibam que eu queria muito dividir com vocês todas essas jaboticabas aqui do meu quintal, que a minha casa tem muitos colchões e cobertas quentinhas, que eu ainda gosto de ver filmes, que eu sinto falta dos dotes culinários do Bu (embora os meus tambem estejam se desenvolvendo), que estou com saudade dos retratos contrangedores que a Erê traça naqueles desenhos, que ouvir a Dé falar é delicioso, que as piadas do Pat são imbatíveis, que eu continuo bebendo pra caralho, que eu prometo tentar não dormir nas nossas próximas reuniões e que eu continuo achando que Vale a Pena.
Espero que todos (mesmo os que eu não citei) saibam o quanto são importantes. Nos vemos, amigos, assim que possível!!!
sábado, 20 de setembro de 2008
I've just seen a face (Lennon / McCartney)
I've just seen a face,
I can't forget the time or place
Where we just meet.
She's just the girl for me
And want all the world to see
We've met, mmm-mmm-mmm-m'mmm-mmm.
Had it been another day
I might have looked the other way
And I'd have never been aware.
But as it is I'll dream of her
Tonight, di-di-di-di'n'di.
Falling, yes I am falling,
And she keeps calling
Me back again.
I have never known
The like of this, I've been alone
And I have missed things
And kept out of sight
But other girls were never quite
Like this, da-da-n'da-da'n'da.
Falling, yes I am falling,
And she keeps calling
Me back again.
Falling, yes I am falling,
And she keeps calling
Me back again.
I've just seen a face,
I can't forget the time or place
Where we just meet.
She's just the girl for me
And want all the world to see
We've met, mmm-mmm-mmm-da-da-da.
Falling, yes I am falling,
And she keeps calling
Me back again.
Falling, yes I am falling,
And she keeps calling
Me back again.
Oh, falling, yes I am falling,
And she keeps calling
sexta-feira, 19 de setembro de 2008
De algumas improbabilidades...
Os dias que passei na praia, nessa semana, estiveram improvavelmente ensolarados. Fazia frio em Campinas e em São Paulo, que eram os dois prováveis lugares nos quais eu estaria se não tivesse viajado para Peruíbe. Talvez tenha sido por causa do pedido na linha do trem... Ou o sol apareceu para comemorar o aniversário da Tati (acho que ele se lembrou que os olhos dela brilham quando o encaram... é que há gira-sóis neles).
Passamos dias improvavelmente lindos.
Voltei com um sorriso estampado no corpo todo e um cheiro de carambola que ficou no meu nariz...
E desde que chegamos eu tento escrever algo aqui, mas não acontece. Decidi, então, postar alguns poemas que dialogam com as minhas sensações desses últimos dias. Um Leminki para começar:
V, De Viagem
Viajar me deixa
a alma rasa,
perto de tudo, longe de casa.
Em casa, estava a vida,
aquela que, na viagem,
viajava, bela
e adormecida.
a vida viajava
mas não viajava eu, que toda viagem
é feita só de partida.
Outro do Leminski:
Incenso fosse música
Isso de querer
ser exatamente aquilo
que a gente é
ainda vai
nos levar além
(Depois eu posto mais.)
Passamos dias improvavelmente lindos.
Voltei com um sorriso estampado no corpo todo e um cheiro de carambola que ficou no meu nariz...
E desde que chegamos eu tento escrever algo aqui, mas não acontece. Decidi, então, postar alguns poemas que dialogam com as minhas sensações desses últimos dias. Um Leminki para começar:
V, De Viagem
Viajar me deixa
a alma rasa,
perto de tudo, longe de casa.
Em casa, estava a vida,
aquela que, na viagem,
viajava, bela
e adormecida.
a vida viajava
mas não viajava eu, que toda viagem
é feita só de partida.
Outro do Leminski:
Incenso fosse música
Isso de querer
ser exatamente aquilo
que a gente é
ainda vai
nos levar além
(Depois eu posto mais.)
domingo, 14 de setembro de 2008
Nós que nos amávamos tanto
Filme de Ettore Scola.
Maravilhoso.
Genial.
E com uma homenagem ao grande mestre Federico Fellini.
Fiquei sem ar e com uma vontade imensa de ver Ladrões de bicicleta, do Vittorio Di Sicca.
Por filmes assim é que eu amo tanto o Cinema.
Maravilhoso.
Genial.
E com uma homenagem ao grande mestre Federico Fellini.
Fiquei sem ar e com uma vontade imensa de ver Ladrões de bicicleta, do Vittorio Di Sicca.
Por filmes assim é que eu amo tanto o Cinema.
Soneto a Renato Russo (de Glauco Mattoso)
Embora original, gênio, perito,
do nosso rock um raro uirapuru,
vivia ensimesmado e jururu,
talvez por não ser grego nem bonito.
Entendo a sua angústia e o seu conflito,
meu ídolo, meu mártir, meu guru!
Causou você, primeiro, um sururu;
depois, tristeza, calou seu grito.
Respeito quem é triste, ou aparenta.
Os outros grandes brincam: Raul, Rita,
ou cospem mera raiva barulhenta.
Cazuza também brinca, mas medita.
Arnaldo Antunes testa, experimenta.
Renato faz da dor a dor: maldita!
(Um pouco da minha mais atual leitura: um poeta fantástico que estou descobrindo. Chocante.)
do nosso rock um raro uirapuru,
vivia ensimesmado e jururu,
talvez por não ser grego nem bonito.
Entendo a sua angústia e o seu conflito,
meu ídolo, meu mártir, meu guru!
Causou você, primeiro, um sururu;
depois, tristeza, calou seu grito.
Respeito quem é triste, ou aparenta.
Os outros grandes brincam: Raul, Rita,
ou cospem mera raiva barulhenta.
Cazuza também brinca, mas medita.
Arnaldo Antunes testa, experimenta.
Renato faz da dor a dor: maldita!
(Um pouco da minha mais atual leitura: um poeta fantástico que estou descobrindo. Chocante.)
De reencontros e encontros
Ontém saí com velhos amigos, dos tempos de colégio (que embora pareçam distantes, estão ainda muito próximos). As velhas piadas, as novidades a serem compartilhadas, as brincadeiras bobas, a alegria de rever pessoas queridas: tudo estava lá, explodindo em risos. Uma sensação incrível de familiaridade, um à vontade que é raro... Percebi o quanto tudo isso me é caro pelo bem-estar que me assomou.
E o colorido daquela terra de praças e música que ficou lá atrás, me fez pensar no cinza da cidade que eu quero morar. E no quanto eu não pertenço aos lugares, nem às pessoas. Mas as marcas que imprimimos nesses ou naquelas, estas sim me pertencem e me tornam parte de algo. Construo, assim, o meu próprio algo, desenhando e colorindo-o a cada instante. A minha própria história me faz perceber que eu pertenço, de fato, a mim mesma. Já não me sinto mais tão avulsa por aí.
É tempo de estar sozinha e de aproveitar os meus grupos quando eles aparecem. É tempo de entender que a vida não prende, mas envolve, num fluxo constante. Nada perdi, as coisas só mudaram os seus lugares.
A grande cidade quase não me assusta mais. Sou pequena e estou só, mas repleta do muito vivido. Penso no Sin City e nos seus focos de cores em meio ao preto-e-branco, que se destacam porque estão solitários ( analogia boba, sei). Aquele cinza será mais uma cor para as minhas tintas. O segredo está no referencial e na soma!
E o colorido daquela terra de praças e música que ficou lá atrás, me fez pensar no cinza da cidade que eu quero morar. E no quanto eu não pertenço aos lugares, nem às pessoas. Mas as marcas que imprimimos nesses ou naquelas, estas sim me pertencem e me tornam parte de algo. Construo, assim, o meu próprio algo, desenhando e colorindo-o a cada instante. A minha própria história me faz perceber que eu pertenço, de fato, a mim mesma. Já não me sinto mais tão avulsa por aí.
É tempo de estar sozinha e de aproveitar os meus grupos quando eles aparecem. É tempo de entender que a vida não prende, mas envolve, num fluxo constante. Nada perdi, as coisas só mudaram os seus lugares.
A grande cidade quase não me assusta mais. Sou pequena e estou só, mas repleta do muito vivido. Penso no Sin City e nos seus focos de cores em meio ao preto-e-branco, que se destacam porque estão solitários ( analogia boba, sei). Aquele cinza será mais uma cor para as minhas tintas. O segredo está no referencial e na soma!
quarta-feira, 3 de setembro de 2008
Deixa o verão pra mais tarde...
A lua crescendo no sorriso do gato da Alice.
Uma jaboticabeira repleta de flores anunciadoras no quintal.
Aquela saudade gostosa do alguem da minha vida.
As coisas, as vezes, parecem que se apresentam para despertar sorrisos.
É hora de curtir o fim do inverno.
O verão???
Ah, ele vem...
Uma jaboticabeira repleta de flores anunciadoras no quintal.
Aquela saudade gostosa do alguem da minha vida.
As coisas, as vezes, parecem que se apresentam para despertar sorrisos.
É hora de curtir o fim do inverno.
O verão???
Ah, ele vem...
quinta-feira, 28 de agosto de 2008
Apenas uma volta para a casa
Infância
Um gosto de amora
comida com sol. A vida
chamava-se "Agora"
(Guilherme de Almeida)
Hoje, ao fim da tarde, depois de um produtivo e cansativo dia dessa minha vida universitária, resolvi vencer a preguiça e voltar andando para a casa. E dentre os possíveis caminhos, optei pelo o que chamei "Bonito", porque é isso mesmo o que ele é. A distância é maior, mas o bem-estar em contemplar todas aquelas árvores, flores, o lago, os patos, as tantas borboletas... tudo ainda mais colorido pelo sol gostoso de fim-de-tarde... é indescritível.
Caminhei devagar, observando tudo, pois era disso mesmo que eu precisava para descansar um pouco de toda a correria. Então, notei a Amoreira num ponto do caminho... Repleta de frutos, toda pintadinha de roxo, vermelho e preto, como quando eu era mais criança!!!
A cada frutinho que eu devorava, com todo aquele suco avermelhado tingindo-me as mãos, a roupa e a boca, eu me lembrava daquele quintal que ficou lá atrás (de um arco-íris, de certo). Daquele quintal que um dia foi a minha casa, a casa do meu primo e, por último, da minha prima, mas sempre (quase até o fim) do Seu Zé. O Seu Zé era um caipira, velhinho, que andava mancando, de bengala e de sorriso. Ele me fez um balanço no maior limoeiro do quintal (limões rosa) e me ensinou a cantar uma moda de viola caipira (... nessa casa tem gotera, pinda nimim, pinga nimim...), quando eu tinha por volta de um ano de idade. Ele fazia parte daquele quintal mágico, junto da mangueira, da goiabeira, da mexeriqueira, dos limoeiros, das canas-de-açúcar, da pitangueira, da amoreira e da deliciosa companhia dos meus primos. E tudo fazia parte do bom daquele tempo.
Fiquei repleta das lembranças doces, que me entravam pela boca. Tomei novo contato com a minha parte que não cresceu, e que espero que não cresça jamais. E voltei para a minha casa com um sorriso estampado no coração, tão grande, como há um tanto tempo não acontecia, repleta de cores de toda uma vida.
Um gosto de amora
comida com sol. A vida
chamava-se "Agora"
(Guilherme de Almeida)
Hoje, ao fim da tarde, depois de um produtivo e cansativo dia dessa minha vida universitária, resolvi vencer a preguiça e voltar andando para a casa. E dentre os possíveis caminhos, optei pelo o que chamei "Bonito", porque é isso mesmo o que ele é. A distância é maior, mas o bem-estar em contemplar todas aquelas árvores, flores, o lago, os patos, as tantas borboletas... tudo ainda mais colorido pelo sol gostoso de fim-de-tarde... é indescritível.
Caminhei devagar, observando tudo, pois era disso mesmo que eu precisava para descansar um pouco de toda a correria. Então, notei a Amoreira num ponto do caminho... Repleta de frutos, toda pintadinha de roxo, vermelho e preto, como quando eu era mais criança!!!
A cada frutinho que eu devorava, com todo aquele suco avermelhado tingindo-me as mãos, a roupa e a boca, eu me lembrava daquele quintal que ficou lá atrás (de um arco-íris, de certo). Daquele quintal que um dia foi a minha casa, a casa do meu primo e, por último, da minha prima, mas sempre (quase até o fim) do Seu Zé. O Seu Zé era um caipira, velhinho, que andava mancando, de bengala e de sorriso. Ele me fez um balanço no maior limoeiro do quintal (limões rosa) e me ensinou a cantar uma moda de viola caipira (... nessa casa tem gotera, pinda nimim, pinga nimim...), quando eu tinha por volta de um ano de idade. Ele fazia parte daquele quintal mágico, junto da mangueira, da goiabeira, da mexeriqueira, dos limoeiros, das canas-de-açúcar, da pitangueira, da amoreira e da deliciosa companhia dos meus primos. E tudo fazia parte do bom daquele tempo.
Fiquei repleta das lembranças doces, que me entravam pela boca. Tomei novo contato com a minha parte que não cresceu, e que espero que não cresça jamais. E voltei para a minha casa com um sorriso estampado no coração, tão grande, como há um tanto tempo não acontecia, repleta de cores de toda uma vida.
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